Nova pesquisa encontra inseto em café comercial

[Por: Ronaldo Muinhos, Diretor e especialista em café do Buenavista Café]

Proteste, associação de defesa do consumidor, divulgou nesta quinta-feira (17/08/2017), os resultados de um teste de segurança alimentar – com base no regulamento técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – em amostras de oito marcas de café, entre elas Caboclo, Pilão, Melitta e 3 Corações, uma apresentou quantidade de matéria estranha, como fragmentos de insetos, superiores à permitida por lei.

Quantidade permitida

Conforme a legislação da Anvisa, a quantidade permitida de corpos estranhos nos alimentos analisados é de 60 fragmentos de insetos em 25 gramas de café em pó.

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Os resultados mostraram que as amostras das marcas Caboclo e Pilão não indicaram a presença de matérias estranhas microscópicas ou microscópicas. Já a 3 Corações, apesar de estar dentro do limite permitido, apresentou 15 fragmentos na amostra de 25 gramas.

Inseto no café Melitta

Por outro lado, o café Melitta apresentou uma quantidade superior à permitida pela vigilância sanitária. A amostra analisada revelou 13 fragmentos de 25 gramas e um inseto inteiro morto – que não está previsto na legislação. Segundo a Proteste, isso indica a possibilidade de falhas no processo de produção, manipulação ou armazenamento do produto.

O que diz a empresa

“Em relação aos testes realizados pelo Instituto Proteste com um lote especifico do café em pó Tradicional embalagem Pouch 500g da Melitta do Brasil, a empresa afirma que desconhece os procedimentos utilizados para o teste dos produtos e reitera que prima pela qualidade, atende e respeita todas as regras da legislação aplicada pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A marca tem como prioridade entregar a excelência no produto final e, para isso, possui diversos processos de controle, além de certificados que comprovam o alto nível de qualidade em seus processos, como o Selo de Pureza ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café), o Certificado ISO 9001 de gestão de qualidade, o Programa de Qualidade do Café da ABIC e o Programa de Boas Práticas de Fabricação.

A empresa afirma ainda que realiza análises periódicas com laboratórios independentes certificados e que em nenhum momento foram encontradas as irregularidades divulgadas pelo Instituto Proteste. Por respeito e responsabilidade ao consumidor, a Melitta do Brasil vai recolher o lote em questão para refazer as análises.”

O que diz a ABIC (Associação Brasileira da Indústria do café)

“(…)A indústria de café tem adotado limites cada vez mais rígidos e menores para a presença de broca nos lotes de café que ela adquire. Isto tem sido um procedimento cada vez mais rigoroso por parte das indústrias e é uma exigência da ABIC aos seus associados em seus programas de qualidade e certificação. A ABIC tem mantido contatos frequentes com a Anvisa para interpretar o método de análise indicado pela norma para a avaliação do café. A conclusão é que o método de análise por quantificação de fragmentos é inadequado e não assegura confiabilidade aos resultados pois em testes realizados pela ABIC o mesmo produto pode apresentar resultados diferentes e com isto prejudicar a avaliação e as marcas testadas. O assunto ainda necessita de mais estudos e discussões.

Importante lembrar que o grão de café é torrado a 230ºC, moído e no preparo da bebida a água, junto com o pó de café passam por um coador e/ou filtro, eliminando qualquer possibilidade de algum fragmento estar presente na xícara do consumidor.(…) As indústrias associadas têm produtos certificados com o Selo de Pureza e Qualidade, e garantem a segurança alimentar. A presença da broca tem sido combatida e discutida exaustivamente com a Anvisa desde 2015, inclusive quanto à validação do método de análise e contagem dos fragmentos de broca. A Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC, reitera seu compromisso com a segurança alimentar e o respeito aos consumidores e vai ampliar seu monitoramento sobre os cafés no mercado, especialmente com relação a incidência da broca e com o espírito da autorregulamentação, que fez dos seus programas de certificação um exemplo em todo o mundo e no Brasil.” 

O que achamos

Como sempre, a grande indústria de café utiliza respostas padrão para problemas historicamente conhecidos, sem apontar, pragmaticamente, soluções para a segurança alimentar de seus produtos. Mas realmente ficamos assustados com a posição da ABIC, segunda ela:

ABIC: “Importante lembrar que o grão de café é torrado a 230ºC”:

230ºC não é uma temperatura fixa. Temperaturas finais de um processo de torra podem ter grande variação, dependendo do tipo de café que se quer obter. O processo de torra não elimina impurezas de um café.

ABIC: “Moído”:

O fato do café ser moído não impede que as impurezas sejam eliminadas, muito pelo contrário, quando se compra café já moído, o consumidor perde ainda mais a capacidade de identificar tais impurezas.

ABIC: “No preparo da bebida a água, junto com o pó de café passam por um coador e/ou filtro, eliminando qualquer possibilidade de algum fragmento estar presente na xícara do consumidor”:

Como uma Associação de cafés desconhece vários outros métodos de preparo de café além do tradicional coado? Métodos como frenchpress, espresso e cafeteira italiana, por exemplo, possuem filtros de metal com aberturas maiores que os filtros de papel, o que permite a passagem de micro partículas de café e também poderiam permitir a passagem de impurezas. Mesmo que as impurezas sejam filtradas, o que dizer sobre a interferência negativa destas impurezas na qualidade final do café? Merecemos tomar café com sabor de insetos?

Como comprar um café de qualidade?

A melhor dica é preferir as micro torrefações artesanais da “Terceira Onda do Café” às grandes marcas. Em geral, as micro torrefações focam totalmente em cafés de alta qualidade,prospectando e trazendo os melhores cafés especiais a cada nova safra. O processo de torra é mais controlado, utilizando um perfil de torra ideal para cada grão. Feito em pequenas quantidades, o controle de qualidade de cada processo e da matéria prima são minuciosos.

Outras informações sobre qualidade podem ser encontradas em nosso Post “Dicas para um café perfeito”.

Por fim, seja exigente, mude seus hábitos de consumo, ou continue tomando café de inseto!

21 comentários em “Nova pesquisa encontra inseto em café comercial”

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